Cozinha: Algarvia

Caracóis Cozidos

Por Carla Rocha

Para mim, estes Caracóis Cozidos, são o meu petisco preferido de verão. Sei que é algo que não reúne consenso, mas eu cresci a comer caracóis, pelo que faz parte da minha cultura. A receita que aqui lhe deixo, é como os fazemos em casa dos meus pais, uma receita simples, sem sabores artificiais. Não é uma receita difícil de fazer, contudo é uma receita que requer tempo, pois os caracóis têm de ser muito bem lavados e escolhidos, para ver se vão todos em condições para a panela. Para eu fazer estes caracóis, eles viajaram de Olhão para a Maia, pois nunca me atrevi a comprar caracóis cá em cima, nem sei se os há. Pelo menos sei que não há onde os comer fora de casa, ao contrário de em Olhão, que os podemos comer em vários sítios! Eu fiz, comi e deliciei-me, num dia de sol, nesta primavera que nos tem dado demasiados dias de chuva.

Lulinhas Fritas

Por Carla Rocha

Estas Lulinhas Fritas têm sabor a Olhão :), sabor a casa. São rápidas e fáceis de fazer, basta seguir as indicações da receita, que não tem como falhar. O truque está no descartar a água que as lulas largam no início da cozedura. Este truque tanto pode ser usado com estas lulinhas, como com lulas de maior tamanho, resulta sempre. Aqui em casa, gostamos de acompanhar as Lulinhas Fritas com Batata também frita, temperada com Alho em Pó e Sal e também com salada, hoje foi de Alface. Espero que goste da sugestão!

Folar de Olhão

Por Carla Rocha

O Folar de Olhão é o folar que me acompanha desde sempre! Cresci a ver a minha avó Juliana a fazer folares na Páscoa, pensando eu que era tão fácil, pois ela fazia tudo parecer tão fácil, amassava à mão folares para todos nós. Não querendo mentir, a minha avó fazia mais de 10 folares de cada vez, todos de tamanhos diferentes, cozidos em tachos de alumínio. Na hora de os cozer, lá íamos nós com os tachos na mala do carro, para os cozer nos fornos das fábricas do pão de Olhão. Uns anos íamos à Aliança, noutros aos ‘Mau-maus’. Dependia de quem ia ter os fornos ligados e disponibilidade para nos receber. Só depois de ‘crescida’ comecei a dar valor a tudo isto, ao que marca a minha história de vida. Coisas que eram tão tidas como minhas, que na altura não lhes dava a devida importância. Ontem fiz três folares. Amassei-os na batedeira, cozi-os no forno aqui de casa, tudo muito diferente, mas ajustado à realidade dos nossos dias e que espero que daqui a uns anos, a minha filha dê o devido valor. O Folar de Olhão, para quem não conhece, é um folar doce, feito em camadas, com uma mistura ainda mais doce pelo meio. Em 2019 eleito como uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal. Existem diversas receitas, a que aqui hoje vos trago, é a receita como a minha avó o fazia. Quando à forma, continuo a fazer a forma tradicional, embora nos últimos anos, tenha visto que começaram a fazer o folar enrolado, são opções que respeito e até gosto, tanto que fiz um deles assim. Creio que na cozinha há sempre lugar para todos, sempre com respeito mútuo.

Arroz de Peixe e Amêijoas

Por Carla Rocha

Este Arroz de Peixe e Amêijoas é daquelas receitas que me recordam tempos passados em família, dias passados em casa dos meus avós. O meu avô Zé era pescador, andava à pesca numa traineira, sendo que a posição dele era na ‘chata’. Trazia para casa o melhor peixe que o mar ‘lhe dava’. Fomos uns privilegiados nesse sentido. Muitas foram as receitas que se faziam, umas mais simples que outras, mas todas saborosas e aproveitando-se tudo o que delas se podia tirar, como é o caso de um simples peixe cozido. Sempre que havia Peixe Cozido, era feito Arroz do Caldo, que confesso, era a parte que sempre gostei mais… comer o arroz do caldo do peixe, bem regado com limão. Claro que para os netos, a minha avó Juliana tirava as ‘polpinhas’ do peixe e comíamos junto ao arroz. Mimos impagáveis! Este Arroz de Peixe e Amêijoas é uma receita com um upgrade ao que se fazia na altura. A receita em que me baseei, é da chefe Noélia do Restaurante Noélia e Jerónimo. Alterei pouca coisa, apenas o que me fez mais sentido. Pode-se dizer que é feita em duas partes: a primeira na feitura de um caldo rico que depois é usado na segunda parte da receita, onde se coze o arroz. Espero que goste da sugestão!

Doce de Figo e Vinho do Porto

Por Carla Rocha

Este Doce de Figo e Vinho do Porto, é um excelente acompanhamento para queijos e salgados, contudo é igualmente bom para comer simples em tostas ou iogurtes. Por os figos, por si só, serem uma fruta tendencialmente doce, reduzi a quantidade de açúcar em relação ao seu peso e, até porque o açúcar que usei, foi açúcar amarelo, também ele com um travo mais forte. Como vinho do Porto, usei um vinho também ele doce, um Croft Platinum Reserva, um dos meus preferidos e, que pela sua cor e travo, dá sempre um sabor marcante. Em relação ao tipo de figos, este Doce de Figo e Vinho do Porto, foi feito com dois tipos, um verde, os pingo mel e outro escuros, também eles da região do Douro, mas que confesso que não sei o nome. Os vídeos do processo estão no nosso instagram @cozinhaalacarte.

Biqueirões Albardados

Por Carla Rocha

Sabem aqueles pratos que sempre existiram em casa dos pais e que na altura não gostávamos, mas que quando fomos viver sozinhos e para longe deixámos de ter acesso, pelo que se tornaram alvo de desejo absurdo? pois bem, estes Biqueirões Albardados, estão na minha lista de pratos de desejo! É um prato típico de Olhão e a maior dificuldade está no arranjar do peixe e foi isto que aprendi desta vez. A minha mãe esteve a ensinar-me a tirar a espinha ao dito para que a partir de agora, os possa preparar em casa. Estes Biqueirões Albardados, são uns simples filetes, temperados com sal, limão, alho e pimenta branca que depois de estarem pelo menos 24 horas a marinar, são passados pela farinha e pelo ovo. Aqui em casa, não o fazemos, mas pode-se juntar ao ovo, cebola e salsa picada. Estes Biqueirões Albardados tanto servem como componente de um prato principal, acompanhado por um arroz malandro de tomate, como de entrada ou petisco. Aqui em casa gostamos de os comer frios, no pão!

Camarões Grelhados e Flamejados

Por Carla Rocha

Para quem gosta de camarões e quer fugir aos típicos camarões cozidos, esta é uma excelente receita de Camarões Grelhados e Flamejados, que é feita no forno. Depois de grelhados, são flamejados com whisky, o que lhes confere um sabor divinal! Os camarões a usar, devem ser grandes, de calibre 20/30. O calibre define o número de peças por quilo de produto, assim um camarão de calibre 20/30 quer dizer que por cada quilo desse camarão, virão entre 20 a 30 unidades. Reserve uma fatias de pão para sim, pois não sei se vai conseguir resistir ao magnifico molho que se forma!

Folar Algarvio de Bater

Por Carla Rocha

Este folar leva-me de volta à minha infância e ao Montenegro (Faro), onde vivi até aos 8 anos. Sempre foi o folar preferido do meu pai. Embora em casa o que entrasse mais fosse o folar de Olhão que a minha avó Juliana fazia como ninguém, tinha que haver sempre um folar destes para o meu pai e com ovo cozido dentro, senão nem era folar 😊. Da família, pelo menos que eu me recordo, quem o fazia era a tia Alzira. É um folar um pouco diferente, pois não leveda e é feito na batedeira ao invés de ser amassado. Tem sabor forte a especiarias, erva doce e canela que eu tanto adoro. Tenham apenas atenção ao encher a forma, não passem mesmo dos 2/3, senão acontece-vos o que me aconteceu a mim e que podem ver no vídeo. Eu aviso, mas depois não cumpro! O que interessa é que este folar está divinal e vai estar na nossa mesa de Páscoa.

Morgado Fingido

Por Carla Rocha

Se há bolo pelo qual nutro sentimentos, é este, o Morgado Fingido. O bolo que a minha avó tantas vezes me vez para eu trazer para casa… quem me dera que o continuasse a fazer. A minha avó Juliana tinha uma mão para a cozinha como não há muitas, tudo o que ela fazia era delicioso! Este é um bolo de amêndoa e chila em que se usa apenas uma colher de sopa de farinha, pelo que se o quiserem adaptar para ser sem glúten, omitam a farinha, ou substituam-na por outro farinha de tipo. Sendo a quantidade tão reduzida, não haverá problema. Aqui o importante é sempre o mesmo, façam-no! É deveras simples, basta misturar tudo e levar ao forno.

Polvo Estufado com Cerveja

Por Carla Rocha

Não há melhor polvo que o do meu pai, apanhado e cozinhado por ele. Eu apenas tento reproduzir o cozinhado, embora também já tenha apanhado alguns ?! Ele acrescenta uma coisinha aqui, outra ali e eu tenho que estar atenta se quero apanhar as suas receitas. O certo é que fica sempre delicioso. Aqui entra também a qualidade do polvo, que é polvo da ria formosa, de calibre pequeno. Claro que está que podem fazer com qualquer tipo de polvo, mas tentem fazê-lo sempre com polvos de tamanho mais pequeno.